Xiru Lautério "O PERSONAGEM MAIS BAGUAL DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS BRASILEIRAS"

5 de out de 2007

Poetando


Bebendo Segredos

Tu saiu mais cedo.
Ficou só teu copo, semi-vazio.
Tua ausência permaneceu,
deixando-me ali, meio perdido.
O trago, que eu vinha administrando
pegou...

Tonto, olhei para os copos.
O meu,
Vazio.
O teu, dois terços...

Bebi em teu copo,
sorvi a bebida cálida,
prenhe de teus segredos...

Nos pedaços do gelo,
do drink que sobrou,
senti o teu sabor...

Bebi o gosto dos teus lábios,
com o sabor,
de um beijo roubado...

Byrata, Pylla e Chico Sosa

Pra variar II


brincando com traço e cor

Pra variar I

brincando com o traço

Pra variar

CASARIO
Desenho: Byrata / Cor: Vó Viva

19 de set de 2007

Divagações

Tratando da Morte

Resolvi que não quero morrer da maneira tradicional. Não quero enterro, missa de sétimo dia... Quero desaparecer.
Comecei a tratar disso. Falei com um, perguntei a outro. Uma noite destas, falando com meu amigo Bica, contei a ele sobre meus planos. Falei que estava pesquisando um jeito, tratando de minha morte, pois sou um cara precavido. Perguntei a ele o que achava e ele me disse:
- Fala com um anão!
- Um anão?
- Sim, disse ele. Tu já viu enterro de anão? Já foi num? Conhece alguém que foi? Já leu convite pra missa de sétimo dia? Isso não existe...
...

14 de set de 2007

Coisas do Rio Grande / Exposição no Boulevar Bauru


Serigote no cavalete.

A Mulher do Tempo


Detalhe de "A Mulher do Tempo", HQ com 04 páginas, parte integrante da exposição Humor Bagual.

11 de set de 2007

Humor Bagual I


Humor Bagual

BAGUALISMO PURO OU POR QUE NÃO RIR, TCHÊ?

Setembro, não é apenas e tão somente o mês do início da Primavera. É também o mês das enchentes de São Miguel - ao menos antigamente - e mais recentemente é o mês do gaúcho, com cetegês, desfiles, gauchadas e feriado estadual. Mas é também o mês de mostrar o Humor Bagual. Ao menos para o Byrata.
Pois o Byrata é este vivente - misto de urbano e rural, um centauro ruralbano ou urbanal - que nasceu em Santa Maria e criou-se em Tupanciretã, com as boas e as (nem tão) más conseqüências disto.
Dentre os bons resultados desta simbiose agrourbana está o seu jeito especial e campeiro de preparar o bom chimarrão com que recebe os amigos. Se isto é privilégio de (alguns) poucos, já de seu traço e de sua arte, não se pode dizer o mesmo.
A arte do Byrata tem percorrido mundos e fundos, apesar dos aramados e porteiras, isto é, dos preconceitos, tão abundantes para com a arte e a cultura com um certo olhar nativista e campeiro. Mais coragem é preciso ter para fazer humor num campo tão adverso. Adverso, porque o gaúcho é desconfiado desde o nascer. Desconfia da parteira, da tesoura que lhe fez o corte do umbigo, da água do primeiro banho e dos próprios pais, embora ambos, com olhar coruja o observem com ternura e carinho.
Byrata, não se impressiona com estas adversidades do meio e dos personagens. O ar sisudo do campeiro e as atividades, quase sempre braçais, que não o falquejam suficientemente, não impedem que se tire leite de pedra, isto é, ria-se da própria desgraça, melhor dizendo, da própria seriedade.
Byrata, com a sensibilidade do olhar do artista, percebe outras luzes e nuances, para além do bagualismo rude da realidade nua e crua, que o entrevero abarbarado do cotidiano campeiro mostra. E é aí que sua arte se expressa e clareia. É desta matéria-prima, com fortes cores e cortes da realidade, que Byrata extrai e refina, no traço e no verbo, uma outra visão do mundo do campo e seus atores.
E aí, seja Humor ou Amor, bagual ou terno, talvez o pequeno detalhe é que vai fazer a diferença. E este detalhe, de estranhamento e espanto, de encanto e leveza, é arte. No caso aqui, bem bagual, é Arte do Byrata.

Humberto Gabbi Zanatta

Exposição Humor Bagual

Autor e obra

24 de ago de 2007

20 de ago de 2007

Erro: tema do 4º Cartucho





O Cartucho - Encontro de Cartunistas Gaúchos, define um tema a cada encontro. Os cartunistas participantes desenvolvem o seu trabalho a partir do tema definido por voto. Três temas foram sugeridos pela organização do encontro, o tema escolhido este ano foi: Erro.

14 de ago de 2007

Oficina de Desenho de Humor


Participe da oficina de Desenho de Humor que estarei ministrando sexta-feira na Casa de Cultura, das 14 as 18 horas. A oficina faz parte da programação do 4º CARTUCHO.

Inscrições gratuítas com Chili Comunicacão e Cultura


fone/fax: (55) 3025.2903 - Rua do Acampamento, 457 - sala 302 - Galeria Krebs CEP: 97050-003/ Santa Maria - RS

Rose: 9107.4163

Daiane: 9168.6095

Aproveite, vagas limitadas!

20 de jul de 2007

Fontanarrosa Imortal!

por Jotabê Medeiros

Morreu hoje, aos 62 anos, em Buenos Aires, o cartunista e escritor argentino Roberto Fontanarrosa, apelidado de El Negro. Segundo o jornal O Clarín, ele sofria de uma doença neurológica. Fontanarrosa, grande amigo do cartunista Quino (criador da Mafalda), conhecia muito bem os desenhistas brasileiros e admirava Jaguar, Henfil, Emilio Fernandes e Edgar Vasques.
No Brasil, Fontanarrosa ficou conhecido quando a L&PM publicou, nos anos 80, os álbuns de seu personagem Boogie, O Seboso, um assassino de aluguel criado em 1972, cujas maiores diversões são brincar de franco-atirador de sua janela e comprar armas novas. O traço fino, elegante e limpo do artista influenciou gerações de cartunistas na América do Sul. Ele dizia que copiava, “sem vergonha”, o italiano Hugo Pratt.
A banalização da violência é radicalizada no personagem Boogie, de Fontanarrosa. Quando alguém pergunta a Boogie se ele viu Dirty Harry, a série de filmes com Clint Eastwood, ele responde: “Detesto filmes de amor”. Eu gostava muito do Boogie.
Mas Fontanarrosa também criou personagens como Inodoro Pereyra, e escreveu contos celebrados, como El Mundo ha vivido equivocado, Palabras iniciales e 19 de diciembre de 1971, entre outros. Trabalhou nos últimos anos como cartunista do Clarín.
Roberto Fontanarrosa nasceu em Rosário, Argentina, em 1944. “Minha infância foi toda normal, toda comum, sem catástrofe, sem privações terríveis e sem acontecimentos extraordinários. Minha infância não dá certamente para escrever um romance angustiante. Nem dá tampouco para uma historieta”, escreveu Fontanarrosa em notas biográficas do próprio punho.
Em 1954, encontrou seu grande amor: o futebol. Foi ver num estádio, pela primeira vez, uma partida entre Rosario Central e Tigre. “Se houvesse de colocar uma trilha sonora para minha vida, seria a transmissão das partidas de futebol”, disse.
Essa paixão tornou-se extremada. Em 1971, seu time, o Rosário Central, ganhou o título argentino. “Gol inesquecível que Aldo Poy fez de aviãozinho, graças ao qual os leprosos do Newells Old Boys foram eliminados na semifinal”. Foi assim que nasceu o conto 19 de septiembre de 1971, incluído em Nada del otro mundo, coletânea publicada pela Ediciones de la Flor em 1988.
Deixou em seu website uma espécie de testamento filosófico tão debochado quanto eram seus desenhos: “De mim se dirá possivelmente que sou um escritor cômico, em suma. E estará certo. Não me interessa tanto a definição que se faça de mim. Não aspiro ao Nobel de Literatura. Já me dou por muito bem pago quando alguém chega perto de mim e diz: “Me caguei de rir com seu livro.”
------------------------------------


"De mí se dirá posiblemente que soy un escritor cómico, a lo sumo. Y será cierto. No me interesa demasiado la definición que se haga de mí. No aspiro al Nobel de Literatura. Yo me doy por muy bien pagado cuando alguien se me acerca y me dice: me cagué de risa con tu libro"Roberto Fontanarrosa.

Se foi Fontanarrosa!


SE FUE EL NEGRO. El humorista y dibujante había nacido en Rosario, en 194