Xiru Lautério "O PERSONAGEM MAIS BAGUAL DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS BRASILEIRAS"

13 de nov de 2009

Paradas

SOU POETA

Sou poeta
ando devagar
vivo divagando
mas de vez em quando
a inspiração me liberta da inércia do repouso
dando à palavra
movimento

Autor: José Vanderlei Prestes de Oliveira
do livro: da SOLIDÃO e OUTROS CONCEITOS
Editora Movimento


Após dias sem postar, volto e destaco o trabalho de José Vanderlei Prestes de Oliveira, poeta e professor de Matemática, que estudou Filosofia e é doutorando em Engenharia.
Essa poesia traduz o que se passa com todos os artistas, em certos momentos de suas vidas, são crises que causam muitas angústias e frustrações.
Isso acontece principalmente quando não entendemos ou não aceitamos essa condição momentânea, que faz parte da vida de todos os seres humanos e mais fortemente identificada na vida dos artistas.
São momentos em que experimentamos certo vazio, espécie de vácuo produtivo, instante ingrato, quando estamos diante da necessidade de desencadearmos um processo criativo e as idéias desaparecem, tornamo-nos como cegos, surdos e totalmente insencíveis. Um "branco" como se costuma chamar.
E aí? Se dependemos disso para sobreviver, como fazer? Com o tempo, artistas ou profissionais da área de criação, aprendem a superar esses momentos na "marra".
Aos irmãozinhos que iniciam sua caminhada na carreira criativa, tenho a dizer que não se angustiem tanto e não desistam, se a "coisa" não anda, melhor é sair e dar uma caminhada ou olhar os pássaros no jardim, as nuvens no céu ou a variação de tons de verdes nos morros.
Nessa hora, melhor é chutar pra lá o tempo de "chronos" e adotar o tempo de "Kairos".
É sair por aí e fazer uma pequena loucura lícita ou conversar com pessoas de que gostem, até com desconhecidos. De preferência, crianças ou pessoas de mais idade, que já tenham ultrapassado os cinquenta. Humanos na faixa dos cinquenta em diante, já passaram por muitas experiências e sempre tem muito a nos ensinar, sobre como viver e sobreviver neste mundo. Quanto as crianças, nem se fala, recém estão começando e por não ter conciência de tanta realidade/irreal e por ainda deter o inestimável poder humano de "brincar", sempre terão muito a nos ensinar e despertar em nós esse poder que com a idade vamos perdendo. O poder infinito de imaginar e criar.
Toda essa conversa foi pra dizer que de vez em quando meu blog pára, tudo por culpa minha, por estar com a cabeça noutro lugra ou em lugar nenhum.

Grande e infinito abraço a todos que tem interesse e paciencia de visitar este espaço!

Carpe diem.

6 comentários:

Fernando disse...

Uma poesia bem curta, mas que diz muita coisa.
Belo post

byrata disse...

O Poeta Matemático José Vanderlei é muito bom! Pretendo me raptar outras poesias dele para postar aqui...

crespa disse...

Existe o tempo de chronos e Kairós,existe um tempo para construire outro para o aprofundamento criativo...há um ritmo entre eles e um entrelaçamento...

byrata disse...

Crespinha: é o ritmo que embala o universo...

Tempestade Interior disse...

Bah, tri legal... bem o que alguém que tá iniciando no mundo das letras e imaginações precisa: poesia dos próprios infindáveis momentos da vida que passam quase desapercebidos por nós, na tentativa vã de tentar criar sem influência externa (o que é pura vaidade e orgulho... sei bem disso); quando na verdade escrevemos um pouco de quem somos, mas quem somos é sempre uma mistura de influências (a la "O Espelho" de Machado de Assis).... bah, mas q confusão!!
heuheueh

Só passei pra dizer q adorei teu blog e minha vó tbm, a dona Marlene Hoffmann, que gostou particularmente de " E a galinha pousou na cadeia." que leu no jornal certa vez e pediu que eu procurasse na internet...

Mas é isso..
Um grande abraço,
Thaís.

Tempestade Interior disse...

Bah, na tentativa de fazer uma analogia acabei fazendo a citação errada, não é "O Espelho" de Machado de Assis, mas sim "O Espelho" de Guimarães Rosa, do livro "Primeiras Estórias"
hehe

Fica a sugestão.
Valeu
um abraço