Xiru Lautério "O PERSONAGEM MAIS BAGUAL DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS BRASILEIRAS"

14 de jan de 2014

Xiru Lautério em artigo de Cloveci Muruci, do Jornal de Artes

GRAPHIC NOVEL
XIRÚ LAUTÉRIO
um personagem que luta contra a morte

Por Cloveci Muruci de Porto Alegre/RS


O Xirú Lautério é um personagem de HQ, criado por Jorge Ubiratan - Byrata, na década de 70, e publicada em 1975, nos jornais: O Semanário (Tupancireta) e o Diário Serrano (Cruz Alta).
Em 1978 o autor reúne essas tiras numa revista e nos anos 80 a tira reaparece na revista Quadrins, e em 1986 retorna como tira publicada no jornal A Razão de Santa Maria.
Em 2007 Byrata inicia a saga do “Xirú Lautério: Brigando Contra a Morte”, “Xirú Lautério Tigre N' Água”, e “Xirú Lautério e os Dinossauros”, lançado em 2013 no Tutti Jiorn - Bar dos Cartunista, Cidade Baixa em Porto Alegre.


Ao reencontrar, após longo tempo, Xirú Lauterio, personagem de HQ criado por Byrata, e desta vez com material suficiente a um olhar mais detalhado, percebi que Xirú é a primeira vista o gaúcho folgado, alegre e valente, envolvido nas lidas do campo; tudo isso ao traço preciso do seu criador. Narrativa linear, roteiro envolvente, bem resolvido e sedutor, com humor refinado e raro.
Mas, ao olharmos mais detalhadamente para esse alegre gaucho, percebemos um sobrevivente de uma espécie em extinção. A figura do Peão de Estância, aquele trabalhador que conhece as lidas campeiras como ninguém; e hoje, já não tão indispensável; quando as Fazendas aos poucos se transformam ao implantar novas tecnologias. E homens como Lauterio, estão cada vez mais ausentes, para se transformarem em lendas.
Esse Xirú, do qual falamos, tem o perfil psicológico perfeitamente identificado, - e quem já se aventurou no interior de nosso Pampa, e/ou região missioneira, “pago” do Lauterio, reconhece seu tipo alegre, - dono de linguagem própria ao falar com as imagens do lugar onde vive e trabalha. Faz parte da paisagem. O homem e seu cavalo. Por tradição é um valente, por temperamento, um alegre.
 Byrata apresenta, corajosamente, nessa ultima publicação, “Xirú Lautério e os Dinossauros”, o herói acompanhado de um grupo de amigos, que alem de outras lidas campeiras, “carneiam gado à noite” e andam em voltas com dinheiro falsificado. Essas más companhias, e esse desempenho as avessas dos heróis gaúchos chegam mais próximo à realidade contemporânea, obrigando aos trabalhadores do campo a romper um estilo de vida e migrarem para periferia das cidades, caindo obrigatoriamente na realidade do submundo urbano.
 A “luta” conta a morte, recorrente ao personagem, sugere a metáfora sobre o desaparecimento desse guerreiro dos campos, que em outros tempos, emprestou sua valentia as oligarquias da época e na atualidade brigam ferozmente, sem mesmo saber por que, - como em outros tempos -, contra tigres, Demo, e monstros pré-históricos, que subliminarmente se esconde a primeira analise.
Junto a tudo isso, - como se não bastasse - Byrata nos traz em detalhes, no traço e falas dos personagens, planos bem elaborados, e as riquezas do cotidiano campeiro; quando Lautério prepara o fumo crioulo para o “palheiro”, ou o cuidadoso arranjo do chimarrão.


Xirú fala com seu cavalo, e qual gaúcho que não faz isso? Mas nenhum tem um cavalo que pensa e reclama da lida do campo. Para completar, vem em ultima analise a presença do conflito: um patrão fora da lei, um cientista alemão possuidor de certa ética, tempero mais que perfeito para o sabor da trama final.


fac-símile da página 4 do Jornal de Artes

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