Xiru Lautério "O PERSONAGEM MAIS BAGUAL DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS BRASILEIRAS"

11 de ago de 2014

O MENINO E O TIGRE































Quando escutei pela primeira vez a palavra globalização, tive dificuldade de entender seu significado e conceito. O termo começou a ser difundido em meados da década de 80 e daí por diante “garrou” força, como diz o gaúcho.

Na década de 90 já era comum seu uso e a compreensão de seu significado estava bem assimilada por boa parte da população pensante. Recentemente fui pesquisar sobre o assunto e vi que em 2000 com as relações em andamento do Brasil com o FMI, o Fundo Monetário Internacional, o termo fortaleceu a compreensão para seus aspectos relacionados ao comércio, as transações financeiras e os movimentos de capital e de investimento, oportunizando o desenvolvimento de certa rejeição por parte de muitos ativistas culturais e políticos em nosso país e no mundo. 

Mas globalização refere-se também a migração e movimento de pessoas e a disseminação do conhecimento, além dos desafios ambientais como as mudanças climáticas, poluição do ar e excesso de pesca nos oceanos, de queimadas nas florestas, manejo de solos e mananciais aquíferos e energéticos. Tudo isso está ligado à globalização.

Hoje estamos totalmente imersos na tal globalização sob todos os aspectos e nada mais nos causa estranhamento. Temos acesso às notícias em tempo real sobre fatos ocorridos em qualquer ponto do planeta e podemos opinar e discutir sobre qualquer assunto, com qualquer pessoa a qualquer momento, através das redes sociais, como o Facebook e outros, confortavelmente instalados em nosso lar.

Os assuntos debatidos também estão globalizados e alguns são bem polêmicos a ponto termos compreendido que não convém aborda-los se não estamos preparados para entrar em uma roda viva de discussões e até desacato, caso não concordemos com a opinião de certos internautas mais agressivos. Recentemente compartilhei em meu “feice” o cartum de um colega, cujo tema é a questão que está sendo discutida a respeito da disciplina nas salas de aula e a possibilidade de impedimento de punições a alunos problemáticos, com suspensão ou expulsão. Há um entendimento de que isso não será mais permitido. Imaginem como será daqui pra frente se essa medida for adotada. O aluno que desrespeitar colegas ou professores não poderá mais ser punido disciplinarmente de forma rigorosa e a escola terá de encontrar um meio para solucionar o problema internamente, sem o afastamento do desajustado. É bem complicado...

Pensando nisso, lembrei-me de outro fato ocorrido recentemente, que também circulou pela internet, observei que ainda vigora a velha regra que diz que se não punirmos os desajustados, a própria vida o fará. Refiro-me ao ocorrido recentemente, quando um menino que ignorou todas as normas e advertências de segurança, ao visitar um zoológico da cidade de Cascavel no Paraná, acabou sendo atacado por um tigre, tendo seu braço arrancado. O fato foi bem documentado, com imagens inclusive, que circulam livremente pela internet, fato que tem intrigado a polícia, que deseja saber quem são seus autores.

No “feice”, após o ocorrido circulou até lista de adesão para que a fera fosse sacrificada, como se tivesse culpa, Imaginem só! É como se na arena de touradas o touro fosse o culpado de todas as agressões “esportivas” a que os toureiros lhe submetem. Não tem cabimento, mas esse é o mundo em que vivemos, expondo-se diariamente através das redes de comunicação, para que o avaliemos e quem sabe, se formos coerentes possamos discuti-lo e reformula-lo, para melhor.

Enfim, o menino que foi trucidado pelo tigre, agora, também através das redes sociais e de comunicação, apela para que não sacrifiquem o animal, reconhecendo sua culpa por imprudência e descaso. Certamente aprendeu da forma mais dolorosa, a lição de que não devemos “cutucar o tigre com vara curta”, como diz aquele ditado que me criei ouvindo “dos mais velhos” e que também transmiti aos meus filhos.

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